quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Dr. ALIATÁ CHAVES

Aliata Chaves Ex-Prefeito de Pau dos Ferros/RN, conhecido como o BAIBA é Realmente uma Figura de nossa querida Cidade.
FONTE: BLOG NOSSA PAU DOS FERROS

domingo, 22 de agosto de 2010

CHICO VÉIO - UPANEMA


Chico Véio é uma das muitas figuras folclóricas da cidade de Upanema.

Uma de suas características é a fixação desenfreada por Renato Gaúcho. Ele é o tipo de fã incondicional.

Ele torce pelo time que Renato está. Quando este era jogador, ele torcia pelo time deste.

Agora que ele é técnico, ele o acompanha seja em que time ele esteja dirigindo.
FONTE: JORNAL DE UPANEMA

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

MILITANA DO NASCIMENTO - A ROMANCEIRA - 1925 - 19/06/10

" Calou-se a Cotovia Potiguar"
















Ainda em estado de choque! Após ler no TWITTER sobre o encantamento de Dona Militana quando a noite de sábado do dia 19 de junho caia entornando no horizonte as lágrimas de um adeus em meio à folia... Eu me aprontava para o ARRAIÀ BIZACO DA VILA, me coube levar a triste noticia aos velhos MESTRES que comigo vibraram com idéia de nosso arraiá. Após a missa na capela de São João, como arauto portador de maus presságios, comunicamos a todos que se acercavam da capela, que a morte calara a nossa “COTOVIA”. E sob a comoção do momento agradecemos a Deus o legado Cultural que a mesma nos deixara, um minuto de silêncio, a seguir de uma torrencial chuva de palmas, para aquecer-lhe a alma enquanto seu frágil corpo esfriava no Outeiro.

Dona Militana agora se junta a outras figuras como Patativa do Assaré, Fabião das Queimadas Elino Julião, nosso tão querido Mestre Correia a Chico Antonio que teve Mário de Andrade para projeta-lo pro Brasil e no Mundo e a seu Cornélio Campina Mestres que como ela de vida humilde, pobres de recursos materiais, porém de riqueza cultural incomparáveis! Ela nasceu Militana Salustino do Nascimento, se tornou conhecida como Dona Militana, a maior Romanceira do Brasil. Militana nasceu no sítio Outeiro, na comunidade de Santo Antônio dos Barreiros, em 19 de março de 1925. O dom do canto ela herdou do pai, Atanásio Salustino do Nascimento, uma figura folclórica de São Gonçalo, mestre dos Fandangos. Dona Militana gravou na memória os cantos executados pelo pai. São romances originários de uma cultura medieval e ibérica, que narram os feitos de bravos guerreiros e contam histórias de reis, princesas, duques e duquesas. Além de romances, Militana cantou e encantou com modinhas, coco, xácaras, moirão, toadas de boi, aboios e fandangos. Guardo comigo para ilustrar os meus anais bibliográficos esta foto, relembrando a resistência de uma grande mulher Negra do Rio Grande do Norte.















Nossa sempre Cotovia.

Tinha medo de as asas bater,
Para alem do além infinito
Seu medo mas que esquisito.
Deixar a Benedita sem crer
Que o amanhã seria bonito
Adeus à vida e ao seu sitio
E ao povo, hoje faço saber
Estando calado o seu rito
Que artista pobre ou rico
Só é reconhecido ao morrer!

Militana encantou no Outeiro
E pro Teatro foi levada
Morta foi reverenciada
Por seu vasto romanceiro
E pelos homens do poder
A bandeira foi hasteada
Parece contada piada
As coroas que pude ver
Dirão ó língua afiada
Tem a poetisa da lestada.

Vide a morte de o não viver!
Tivessem lhes dado em vida
O que em vida tanto nos deu
Talvez bem longe de Morfeu
Não lhes chorasse a partida
De as asas quebradas ao breu
Nesta tarde que anoiteceu
Num vôo de volta sem ida
E ouço ainda no canto seu
Que a cultura entristeceu
Velando a malévola perfídia...

Sua cadeira seguirá vazia
Sobre a sombra da mangueira
Os troncos darão fogueira
Fagulhando a Poesia
Serás sempre a Romanceira
Lembrança da burguesia
Contada na freguesia
Que a deixou sem eira e beira
Como o fume que subia
Cachimbando a cotovia...

Uma Comenda é besteira...
Se a barriga esta vazia
O estomago ardendo azia;
Dona Militana, era faceira
Dizia o que bem queria;
A quem a porta ela abria
Se, Fandango lá na feira
Ou Romance medieval
Cantava em seu quintal
Pra sombra da mangueira!

Contava dos reis histórias
O que aprendeu com seu pai
Coco mourão- e por ai vai
Toadas de boi e as glórias
Dos bravos, e suas memórias
Entregues a Deífilo Gurgel
Na égide do Arcanjo Miguel
Perdemos um arquivo vivo;
Que de seus feitos farão livro
e de nossa Cotovia menestrel

Deth Haak
" A Poetisa dos Ventos"
Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN
Cônsul Poeta Del Mundo

RECONHECIMENTO –Ao descobrir a preciosidade dos cantos de Dona Militana, na década de 90, o folclorista Deífilo Gurgel deu uma grande contribuição à cultura brasileira e permitiu que o país inteiro conhecesse o talento da filha da cidade de São Gonçalo do Amarante. A romanceira chegou a gravar um CD triplo intitulado “Cantares”, lançado em São Paulo e Rio de Janeiro. Críticos e jornalistas de grandes jornais brasileiros se renderam aos encantos e a peculiaridade da voz de Dona Militana. Em setembro de 2005 aconteceu o momento mágico quando ela recebeu das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Comenda Máxima da Cultura Popular, em Brasília. Mas o reconhecimento financeiro para esta festejada romanceira só veio em 2009, com o Projeto de Lei Complementar encaminhado pelo prefeito de São Gonçalo, Jaime Calado, e aprovado pela Câmara Municipal do município que concedeu uma pensão vitalícia.




































“Lá nos Barreiros onde eu nasci,
Em São Gonçalo onde eu me criei,
Eu vou voltar pra meu sítio Outeiro,
Adeus Rio de Janeiro, adeus.”

(versos cantados por Dona Militana numa apresentação no Teatro João Caetano, Rio de Janeiro, durante participação especial no espetáculo "Lunário Perpétuo", ao lado do brincante pernambucano Antônio Nóbrega).





















Disse Deífilo Gurgel em sua homenagem no velório, que o governo federal rendeu à romanceira, a Comenda do Mérito Cultural e destacou a sua importância. "Trata-se de uma condecoração oficial concedida a pessoas como Chico Buarque de Holanda e Oscar Niemeyer. Ela foi igualada aos grandes nomes da cultura de nosso país", disse Gurgel ao teatro lotado. O folclorista afirma que ela sabia não apenas romances, mas também adotava outras formas de manifestações culturais. "Dona Militana tinha uma memória incrível. Em uma pesquisa recente, constatei que nenhuma das romanceiras nordestinas tem uma gama de romances tão grandes quanto ela", declarou.
O diretor teatral Véscio Lisboa, que fez peças inspiradas na obra de Militana, disse que "viajou na beleza dos romances e os transportou para o século XXI".

Dona Militana felizmente encontrou Deífilo Gurgel! Maravilhosos e
antológicos são os discos gravados pelo selo Nação Potiguar do
Dácio/Candinha. O CD triplo Cantares de Dona Militana e belo encarte, com as participações do mestre Salustiano tocando a rabeca pernambucana Eusébio Macambira e o sanfoneiro Luizinho Calixto com a participação erudita da Orquestra Sinfônica do RN com regência de Osvaldo D’Amore, e a pianista Dolores Portela tocando o cravo responsável também pelas partituras dos romances.

O romance de Dona Militana com a vida se tornou menos musical nos últimos dias. Desde o ultimo domingo, a maior romanceira do Brasil estava praticamente muda e sonolenta. As cantorias que um dia lhe renderam comenda nacional entregue pelas mãos do presidente Lula, em Brasília, calaram de uma vez, e aqui ficam restritas aos CDs já gravados com 33 raridades poéticas musicados da Idade Média - época das Cruzadas. A guardiã deste tesouro medieval repassado pelo pai Atanásio Salustino durante a colheita na roça, desafinou a viola e pos tudo num só saco, o abandono do poder o descaso com a arte os cachês que não recebeu , dentes que Candinha Bezerra prometeu e nunca deu e os CDS que não chegaram as suas mãos para repassar aos seus, enfim desencantada, morreu!
Deixou-nos algumas dezenas de peças raras dos romanceiros ibéricos e brasileiros.”


O cd 1 contém:
01 romance de clara arlinda
02 romance alzira
03 romance de rios preto
04 general dos maroto
05 a mulher traidora e o capitão traído
06 romance de dona branca
07 romance de a bela infanta
08 rosa
09 cabeleira
10 mulher marvada
11 o ingrato
12 romance de severo
13 rachão
14 boiadeiro
15 o mouro e a estrangeira
16 romance de in cio
17 guilermina
18 veia não beba o vinho

O cd 2 contém:

01 romance de antonino
02 antonho sirvino
03 romance de reis afonso (paulina)
04 romance de sinhazinha
05 bem-te-vi
06 romance de leonor
07 romance de elisa
08 nau catarineta
09 manuel passarinho
10 romance de santa iria
11 romance do valente vilela
12 romance da moca moura
13 mane caetano
14 romance da princesa rosa
15 romance de juliana (d. jorge)
16 romance da nega preta
17 romance de maria
18 coco da lagatixa

O cd 3 contém:
01 romance de sirino
02 romance de telvina
03 romance da moca que queria casar
04 cafutinho
05 romance do lavrador
06 boi mandigueiro
07 rosalina
08 os piratas
09 romance do criolo timote
10 dona branca
11 romance de zezinho mais mariquinha
12 versos de monteiro
13 romance de alonso e marina
14 trovador
15 inácio da catingueira
16 pecador obstinado
17 nego piauizeiro
18 jornada de despedida

Dona Militana 2000 Cantares, cd 1
Dona Militana 2000 Cantares, cd 2
Dona Militana 2000 Cantares, cd 3

Mote:Dona Militana também gravou “Songa também dá côco”, de 1999. Em “Som barato”.

Uma pergunta que não quer calar:
Quem herdará o trono de maior "romanceira" do Brasil com a morte de Dona Militana?















Se você não conhecia Dona Militana, leia esta matéria Estadão:http://www.estadao.com.br/arquivo/arteel
"Romance de Alzira" - Leia abaixo uma das histórias cantadas por Dona Militana.

"Romance de Alzira".

Alzir´ era uma condessa
Filha de um Conde Aragão
Derna de muita criança
Que tem um bom coração
Coisa que em casa não via
Dá-lhe a ela ´ducação
Quand´ Alzir´ enterô ano
Seu padrim presenteô
Uma capa de brocates
Que muito acro custô
Alzira pegô a capa
Com muito gosto guardô
Primeira vez que butô
Foi à missão de São Pedro
Quando vei de lá pra cá
uma criancinh´ achô
Tava gélida de frio
E trespassada de dô
Alzira tirô a capa´
E a criancin´ imbrulhô
Aantes de chegá em casa
A criancinha morreu
Ela chamô o criado
- Conduza ess´ inucente
Vã na casa mortuáli
E faça´ um enterro decente
Alzira foi à missa
Do que Agripino viu ela
Enloquiceu de paxão
Alzira entristeu de repente
O cumo tivesse tado
Dois ô três mese doente
Alzira sonhô um sonho
Que o pai lhe obrigava
A ela beber fé
Dend´ uma tace de ôro
Dizendo - Beba qu´ é mel
Dend´ uma tace de ôro
Dizendo - Beba qu´ é mel
Alzira contô o pai
O sonho que tinha tido
O velho disse - Alzira
´Sé ilusão do sentido
Alzira disse - Meu pai
Eu fico superendida
Alzira entô pra dento
Abriu o seu santuaro
Juelhô-se foi rezá
Adiante decê-lhe um anjo
Dê-lhe següinte recado
Enviado pro Jesus
- Deus do céu mandô dizê
Que aceitasse o casamento
Com´ elh´ aceitô a cruz
Adiante vinha-te treva
E atrás mandava-te a luz
Alzira disse - Meu pai
Aceito meu sufrimento.

Adeus adeus Militana, adeus adeus madrugada de hoje adeus, não posso. mas demorar, até qualquer dia, quando for eu a escolhida pra botar versos no céu...
FONTE: SITE NOTAS VERSEJADAS - 21/06/2010